25 de março de 2011

Mais-valia

25 de março de 2011
“Silva trabalhava horas a fio numa mediana fábrica de colchões no centro-sul de Goiás; doze por dia, excetuando-se um eventual tempo extra ou uma raríssima escapada para a cerveja. Em três oitavos da carga horária, a produção de Silva já cobria o medíocre dispêndio salarial da fábrica consigo. Ou seja: durante cinco horas por dia, o homem de nossa história era o suplemento capitalista de seu patrão, com trabalho não remunerado. Resignado e ordinário - embora conhecesse o desenrolar de sua miserabilidade, não ousava transpor os umbrais daquela desmedida exploração: mais-valia um pássaro na mão do que dois voando.